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Agricultores assentados são os primeiros a receber pagamento por serviços ambientais em Santa Catarina

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fatmaEm Santa Catarina, assentamentos da reforma agrária fazem parte de corredores ecológicos e contribuem para a conservação da biodiversidade. Prova disso é que três assentados de Passos Maia, no oeste catarinense, foram os escolhidos para serem os primeiros agricultores no estado a receber pela preservação de mata nativa, através do Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA).

Nelson de Jesus dos Santos, do assentamento Conquista dos Palmares, Vilmar dos Santos Nascimento, do 13 de junho e Adão de Sá, do Zumbi dos Palmares, foram os pioneiros a receber o pagamento, que destina anualmente até R$ 350,00 por hectare preservado, até o limite de 3 hectares. Durante três anos eles receberão o benefício, com a possibilidade de renovação. Segundo Catia Oliveira Bortolomiol, profissional de assistência técnica da Cooptrasc, cooperativa que atende aos assentamentos do Incra em Passos Maia, outros agricultores assentados no município também poderão ser contemplados. “Esta foi uma experiência inicial em que identificamos, a pedido do órgão ambiental, as três famílias que mais possuíam área preservada, com inclusive muito mais de 3 hectares em cada lote. Já temos outros 10 projetos prontos e muitos outros assentados que poderão receber o benefício”, revela.

Sigueko Ishiy, coordenadora dos Corredores Ecológicos na Fundação do Meio Ambiente (FATMA), explica que o PSA está sendo aplicado inicialmente em áreas prioritárias nos Corredores Ecológicos de Timbó e Chapecó, criados em 2010 para proteger remanescentes de florestas nas bacias hidrográficas destes rios. “Passos Maia está no Corredor de Chapecó e é uma dessas áreas, por isso seus agricultores foram os primeiros a receber, ao lado de outros três representando o Corredor de Timbó”, resume Sigueko. No total, o Corredor Ecológico de Chapecó possui 37 assentamentos da reforma agrária.

Cuidado com a água e produção agroecológica

No lote de 12 hectares no assentamento 13 de junho, Vilmar dos Santos Nascimento produz leite e cultiva milho, feijão, batata doce, entre outros produtos e tem consciência de que precisa conservar a mata para ter água que garanta essa produção. Em entrevista ao Programa SC Rural do Governo do Estado, Vilmar diz gostar de viver perto da natureza. “Toda minha vida gostei de preservar árvores, elas filtram o ar. Se o pessoal continuar desmatando vai acabar a água. E sem ela não poderemos viver. Vou preservar esse mato e também já plantei as 700 mudas de árvores que o pessoal do projeto trouxe”, comemorou.

Além do “gosto pelo mato” e a preocupação com a água, os assentados contemplados pelo PSA produzem sementes crioulas e procuram empregar o mínimo de produtos químicos. Dessa forma, eles mantêm seus lotes no perfil agroecológico, preservando assim não somente a natureza, mas a saúde de sua família e dos consumidores de seus produtos. O pagamento é um prêmio à esta consciência coletiva que tem valor imensurável.


Assessoria de Comunicação
Superintendência do Incra em Santa Catarina

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