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Professores conhecem a realidade dos catadores de lixo na cidade

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catadores

Lages – SC – O município tem 574 famílias registradas como catadoras de material reciclável. As políticas públicas, em parceria com a administração municipal, caminham para que novas centrais e cooperativas se formem, dando melhores condições de trabalho a essas pessoas

 

Seguindo a programação do Mês do Meio Ambiente em Lages, professores das redes municipal e estadual foram convidados a participar da oficina sobre sustentabilidade, nesta segunda (13) e terça-feira (14). O ponto forte foi a visita à cooperativa de reciclagem Cooperlages, no bairro São Miguel, e ao aterro sanitário na localidade de Índios. A atividade encerrou com um passeio no Parque Natural Municipal.

Ao todo, aproximadamente 60 professores, de várias disciplinas, estão participando. O objetivo, de acordo com a organizadora Michelle Pelozato, é instigar os educadores a conhecerem a realidade local para que passem a ser agentes multiplicadores da conscientização, através da educação ambiental nas escolas.

A oficina foi promovida pelo Instituto José Paschoal Baggio. No período da manhã os professores passaram por uma parte teórica, com o tema “Pequenas atitudes, grandes mudanças”, no Centro Ambiental Ida Schmidt, no parque Jonas Ramos (Tanque). Eles trabalharam, junto com os monitores, a importância da preservação da água, do ar e do solo. Os pedagogos receberam materiais informativos, em formato de cartilha, para usarem os temas em sala de aula.

Durante a tarde as visitações foram programadas para que eles vejam como é a gestão municipal na questão dos resíduos sólidos e conheçam a realidade das pessoas que sobrevivem da reciclagem. “O trabalho de reciclagem está mais forte no município após a formalização da nova cooperativa. É importante os professores conhecerem como funciona para levar esse saber aos alunos e àtoda população”, diz Michelle.

 

Mudanças ocorrem gradualmente

A primeira parada foi na cooperativa Cooperlages, onde acompanharam uma parte do trabalho realizado pelos catadores associados. A psicóloga e integrante da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (ITPC), CarolineMeerholz, explicou todo o processo e falou das mudanças que estão acontecendo após a incubadora ter assumido a gestão da cooperativa.

Há cerca de dois meses, após a regularização de documentos, a cooperativa assinou junto à prefeitura um convênio para repasses de valor mensal, totalizando R$216 mil. Também foram entregues três caminhões e três bicicletas adaptadas, as chamadas “recicletas”, utilizadas pela cooperativa no serviço itinerante da coleta seletiva. O roteiro está sendo reformulado e será divulgado nos próximos 30 dias.

As mudanças estão sendo feitas aos poucos, conforme explica Caroline. Este mês foi comprado luvas, sapatos apropriados para o serviço e outros Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), além de móveis para a cozinha e materiais de limpeza.

No mês que vem será iniciada a reforma do barracão, com aproximadamente 600 metros quadrados, com o objetivo de diminuir a periculosidade e melhorar o ambiente de trabalho. “Hoje Lages já está inserida na Política Nacional dos Resíduos Sólidos. Não é fácil mudar os hábitos da população, para que separem o lixo, lavem as peças como caixinhas de leite e de extrato de tomate, por exemplo, facilitando o trabalho dos recicladores na triagem. Mas isso pode começar nas escolas, com as crianças, que com certeza crescerão com uma nova visão”, comenta Caroline.

 

Capacidade para reciclar 60 toneladas ao mês

A quantidade total de lixo recolhido em Lages, tanto material reciclável quanto orgânico, se aproxima de 130 toneladas ao dia. Destas, apenas 35 ao mês são encaminhadas à cooperativa para que seja reciclado. Éuma pequena porção se comparada ao montante. Atualmente a cooperativa possui 27 catadores associados, que trabalham diariamente. Com essa mão de obra é possível chegar em 60 toneladas recicladas todo mês, dobrando a quantidade atual. O aumento gradual se dará quando a cooperativa estiver mais organizada e o barracão reformado. “Sabemos que ainda é uma quantidade muito pequena, mas antes a gente reciclava apenas 17 toneladas ao mês. Nossa meta é chegar a 80”, afirma Caroline.

A Cooperlages é uma cooperativa de economia solidária e, além de contribuir com a preservação do meio ambiente, gera renda aos seus cooperados. Cada catador registrado recebe salário proporcional às horas trabalhadas, administrado por um contador da própria cooperativa. A renda mensal varia entre R$400,00 a pouco mais de R$1 mil.

Lages tem 574 famílias registradas como catadoras de material reciclável. As políticas públicas, em parceria com a administração municipal, caminham para que novas centrais e cooperativas se formem na cidade, dando melhores condições de trabalho a essas pessoas. “Catador formalizado, ligado a uma cooperativa, é mais organizado. Muitos procuram nas lixeiras residenciais apenas os materiais com maior valor de compra e venda, como as latinhas e embalagens Tetra Pack, deixando o restante para trás. Nossa intenção é recolher todo e qualquer material que possa ser reciclado, com exceção da madeira e do isopor”, argumenta a psicóloga.

(Foto: Sandro Scheuermann / Divulgação)

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