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Poluição invisível: uso de pesticidas e medicamentos veterinários é tema de evento internacional

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Você já parou para pensar na quantidade de produtos nocivos que consumimos todos os dias? Só para ter uma ideia, oito brasileiros são intoxicados diariamente por agrotóxicos, segundo dados do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox). Isso acontece principalmente pela falta de regulamentação e pelo uso indiscriminado desses produtos no país. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o Brasil está em sétimo lugar quando se fala em quantidade de agrotóxico aplicado por hectare de terra cultivada.

Além da aplicação indiscriminada de agrotóxicos, outro assunto que preocupa é o risco causado pelo uso de medicamentos veterinários e aditivos de alimentos animais. Isso porque, quando ministrados indevidamente, podem acarretar em problemas para a saúde da população, seja pelo consumo de carne com resíduos veterinários, ou pelo consumo da água poluída com esses medicamentos. Mais do que isso, o uso desses produtos afeta inclusive o meio ambiente, causando poluição e impactando a biodiversidade de organismos terrestres e aquáticos.

E foi justamente para falar sobre esses assuntos que o  Programa de Pós- Graduação em Ciências Ambientais da Unochapecó trouxe para Chapecó o ‘Workshop Avançado em Avaliação de Risco de Agrotóxicos, Medicamentos Veterinários e Aditivos de Alimentos Animais: Estado Atual e Desenvolvimento Futuro‘. O evento, que aconteceu do dia 31 de julho até 3 de agosto, contou com o apoio da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri). Além disso, teve recursos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc).

Entre os palestrantes do evento esteve Leonardo José Gil Barcellos, professor e pesquisador da Universidade de Passo Fundo (UPF), que abordou a temática ‘Fármacos Veterinários e estudos com organismos aquáticos’. Para ele, que estuda o ambiente aquático e suas espécies, o objetivo das discussões realizadas no workshop não visa proibir o uso de produtos nocivos, mas sim regulamentar a forma como são utilizados. “Não se trata de parar com o agrotóxico, mas de regular formas mais corretas de usá-lo e mostrar que sim, que há riscos na sua utilização, para que possamos tomar uma série de cuidados para que o impacto não seja pior do que o benefício de aumentar a produtividade”, explica.

De fato, o Brasil tem hoje, segundo o estudo intitulado ‘Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia’, 504 agrotóxicos de uso permitido. Desses, 30% são proibidos na União Europeia, alguns deles há mais de 10 anos. Ainda de acordo com o estudo, o Brasil permite o uso de até 400 vezes mais agrotóxicos nos alimentos do que a União Europeia, por exemplo. Para ilustrar justamente essa diferença, também estiveram presentes durante o evento estudiosos da Alemanha e de Portugal, representantes da Autoridade Europeia para Segurança Alimentar (EFSA). “Eles trazem um cuidado maior com a regulação. Eles têm agências mais bem organizadas, têm estruturas melhores para estudar cada um dos compostos e gerar a sua legislação. A forma que eles regulam o uso na União Europeia é que está sendo muito interessante ouvir, e que de fato pode ser usado como base aqui no Brasil”, aponta o professor Leonardo.

Em relação a sua palestra, o professor abordou principalmente a forma como o uso dos medicamentos veterinários e dos agrotóxicos chegam aos ambientes aquáticos e quais os efeitos causados aos peixes. “O uso dos fármacos cresce e isso vai parar na água e está causando uma série de alterações nos peixes”, complementa.

Ao todo, estiveram presentes durante o evento, além do professor Leonardo José Gil Barcellos (UPF), os pesquisadores da UFSA Jörg Römbke (Alemanha), Sara Isabel Leston Ferreira (Universidade de Coimbra, Portugal), José Paulo Sousa (Universidade de Coimbra, Portugal), Dilmar Baretta (Udesc) e Marília Teresinha Hartmann (UFFS).

De acordo com a coordenadora do evento e professora do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais, Carolina Maluche Baretta, o workshop reuniu estudantes de graduação e pós-graduação, professores, pesquisadores e representantes de empresas da área. Além disso, permitiu à comunidade ter acesso aos últimos resultados científicos referentes ao tema e também conhecer as metodologias de trabalho utilizadas em Portugal e Alemanha, assim como as ferramentas que podem ser aplicadas em nosso país.

Para quem esteve presente, foi um importante momento de aprendizado. “O evento proporcionou aos alunos da Unochapecó o contato próximo com pesquisadores internacionais de referência na área de ecotoxicologia. Esse contato é de extrema importância para os alunos, que podem assim aprender com pesquisadores de referência, além de estabelecer contato com estes, o que pode lhes abrir portas para o futuro”, finaliza a professora Anna Maria Siebel, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais.

Texto Ana Paula Dornelles*

*Estagiária, sob supervisão de Jessica De Marco

Fotos: Unochapecó

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