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Mais de 120 aves resgatadas chegaram ao Parque das Aves no primeiro semestre de 2019

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Maioria são de posse ilegal, tráfico e contrabando. Animais são vítimas de maus-tratos e chegam debilitados

Só no primeiro semestre de 2019 chegaram ao Parque das Aves 123 aves resgatadas. A maioria dos animais vieram através da Polícia Ambiental, Polícia Federal e Órgãos Ambientais de Meio Ambiente, chegando ao parque muitas vezes com a saúde debilitada. Essas aves geralmente são resgatadas de ambientes de maus-tratos e/ou de posse ilegal.

Para os próximos meses estão previstos chegarem mais 128 aves de vários órgãos ambientais e zoológicos, todas inicialmente recolhidas em situação de resgate. Das mais de 1.500 aves de cerca de 150 espécies que existem no Parque das Aves, mais de 50% são provindas de situação de tráfico de animais e maus-tratos.

Para a diretora técnica do Parque das Aves, Paloma Bosso, essa triste realidade reflete o hábito de adquirir ilegalmente animais silvestres como bichos de estimação, o que financia o tráfico de animais. “As aves recebidas de situações de apreensão chegam ao Parque, muitas vezes, em péssimas condições, com feridas pelo corpo, asas cortadas e membros em geral parcialmente amputados, que os deixa sem condição de voo, bicos quebrados e, algumas vezes, cegos”, afirma.

Segundo Paloma, essa é uma das principais ameaças à biodiversidade da Mata Atlântica e que pode provocar a extinção de diversas espécies. Dados da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) indicam que de cada 10 animais traficados, 9 morrem antes de chegar ao destino final.

O tráfico de animais silvestres ameaça a sobrevivência dos ecossistemas, pois cada espécie tem uma função específica na natureza e, quando retiradas de seu ambiente natural, provavelmente nenhuma outra é capaz de desempenhar aquele papel. “O comércio ilegal ocasiona um desequilíbrio ecológico, além do sofrimento aos animais”, diz Paloma.

Após serem resgatadas, as aves ganham um lar e melhores condições para que possam se recuperar dos ferimentos sofridos, com alimentação e ambiente adequados, proporcionando uma vida na qual possam desempenhar comportamentos e aspectos sociais mais próxima possível do natural.

 

No topo do ranking

Considerada a terceira maior atividade ilícita no mundo, depois do comércio ilegal de armas e drogas, o tráfico de animais silvestres movimenta entre 10 e 20 bilhões de dólares por ano no mundo, segundo dados da ONG Renctas.

O Brasil ocupa um lugar de destaque em relação ao tráfico de animais silvestres, responsável por 15% dessa prática, segundo a Renctas. São cerca de 38 milhões de animais silvestres retirados da natureza todos os anos, movimentando mais de 900 milhões de dólares por ano. E, segundo dados do Ibama, 82% dos animais traficados são aves.

Dentre as ordens de aves, as mais traficadas são os passeriformes (canários, cardeais, curiós, azulões, bicudos) seguidos pelos psitacídeos (araras, papagaios e periquitos). Segundo levantamento de Fábio José Viana Costa, os Passeriformes representaram 45,2% das espécies traficadas, enquanto os Psitaciformes, 16,6%.

Dentro dos psitacídeos destaca-se em números o papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva) como uma espécie altamente capturada na natureza para abastecer o comércio ilegal de animais. Embora oficialmente ainda não esteja ameaçada de extinção, a espécie caminha para esse rumo.

Apenas no estado do Mato Grosso do Sul já foram apreendidos pela fiscalização cerca de 10 mil filhotes (dados do CRAS/IMASUL) desde 1988, mas estima-se que o número seja muito maior. Justamente por isso o Parque das Aves apoia o Projeto Papagaio-verdadeiro, que trabalha com pesquisa e conservação da ave.

“Nossas iniciativas sempre são em favor de conscientizar as pessoas sobre as aves silvestres e a Mata Atlântica. Ameaças, como a perda de cobertura vegetal e o tráfico de animais devem ser priorizados nas ações de fiscalização para serem combatidos”, destaca Paloma, que entende a necessidade de estratégias eficientes e urgentes para que as futuras gerações possam vivenciar um ambiente mais harmônico onde estas espécies ainda vivam.

Para diversas espécies ameaçadas de extinção a caça é a segunda principal ameaça à fauna brasileira, ficando atrás apenas da perda de habitat.

 

O cuidado com as aves resgatadas

Ao tratar de um tema tão sério no Brasil, que é o tráfico de animais silvestres e que devia preocupar cada vez mais a sociedade, o Parque das Aves possui projetos para prevenir a extinção e contribuir para a recuperação de espécies, unindo forças a outras iniciativas, com o governo, e com indivíduos excepcionais para apoiar ou possibilitar ação nos locais onde a espécie vive.

“O trabalho do Parque das Aves envolve pesquisa científica, com ações que visam identificar a situação da espécie em ambiente natural”, explica Paloma. “Como por exemplo o monitoramento de ninhos na região da Bacia do Rio Paraná onde a espécie sofre com a intensa e constante captura ilegal de filhotes, representado pelo saqueamento de cerca de 85% dos ninhos neste local”, finaliza.

 

Sobre o Parque das Aves

Com 25 anos de atuação e 250 colaboradores, o Parque das Aves é a única instituição do mundo focada na conservação de aves da Mata Atlântica. Possui 16 hectares de mata restaurada, 1.500 aves de 150 espécies diferentes, com três viveiros de imersão e um borboletário. O objetivo do Parque das Aves é atuar investindo significativamente para criar um impacto positivo para as aves da Mata Atlântica, principalmente as 120 espécies e subespécies em risco de extinção. O Parque das Aves recebe 830 mil visitantes por ano, sendo o atrativo mais visitado de Foz do Iguaçu depois das Cataratas.

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