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Futuro da Biomassa e a Solução Energética do Brasil

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A procura de energia no Brasil e no mundo tem aumentado e, consequentemente, a sua produção tem vindo igualmente a sofrer um aumento ao longo dos anos, principalmente no que respeita à energia elétrica. A energia consumida em todo o mundo, provém, fundamentalmente, da queima de combustíveis fósseis (carvão mineral e gás natural), cujas reservas energéticas estão longe de fazer frente a este consumo crescente.Constata-se, para além disso, que o setor energético é responsável por diversos impactos ambientais.

As alterações climáticas surgem com o impacto mais significativo, traduzindo-se numa grave ameaça para o ambiente a nível global. Neste sentido, observa-se que o clima tem sofrido uma grave influência, causada por mudanças nas concentrações atmosféricas de diversos gases que capturam a radiação infravermelha da superfície da Terra (“efeito de estufa”).

A racionalização dos consumos, o aumento da eficiência energética e a utilização de fontes renováveis surgem, então, como objetivos a atingir a curto e médio prazo, na tentativa urgente de solucionar este problema complexo.

O aproveitamento da biomassa no Brasil deve se constituir como uma das prioridades para uma solução energética.As plantas e as árvores removem o dióxido de carbono (CO2) da atmosfera e convertem-no em compostos orgânicos que constituem as suas estruturas, através do processo da fotossíntese.

A queima de biomassa na produção de energia elétrica devolve à atmosfera o CO2 retido. O crescimento de novas plantas e árvores mantém o ciclo do carbono atmosférico em equilíbrio e da reabsorção deste CO2. Este ciclo de carbono “zero” ou neutro pode ser repetido indefinidamente, desde que a biomassa seja regenerada nos próximos ciclos e colhida para utilização.

Os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil na COP e de redução voluntária de suas emissões de CO2 até 2040 com a diminuição das queimadas e o desmatamento na região amazônica e a definição de uma estratégia para responder às alterações climáticas, reforçaram a necessidade de se considerar a eficiência energética e a promoção de energias endógenas. Reduzindo o consumo dos combustíveis fósseis e do carvão, com uma maior valorização e utilização das energias renováveis e principalmente pelo aproveitamento dos resíduos florestais, agroindustriais e industriais para produção e o consumo da biomassa.

Neste contexto, um dos grandes objetivos é a diversificação das fontes e aproveitamento dos recursos endógenos, que obviamente passam pelo aumento da participação das energias renováveis, na produção energética total.

Uma das medidas a adotar é redução da dependência externa de energia primária, nomeadamente através do incentivo à produção e o uso da biomassa residual. O aproveitamento da biomassa deve se constituir um desafio prioritário, não só no âmbito energético, mas também dado o seu impacto na revitalização e dinamização da atividade econômica industrial e florestal.

A principal razão para o desenvolvimento de fontes adicionais de energia é o forte aumento da demanda de energia que o mundo vai enfrentar nos próximos anos. De fato, o consumo de energia já aumentou de 65% nos últimos 30 anos. Até 2030, é provável que ver um outro aumento de 40% a partir de 12.000 a 16.800 Mtop (ou a partir de 30.000 a 41.000 Mtwpe).

O mercado de biomassa e pellets está passando por uma fase de grande crescimento em função do aumento do consumo mundial. Em nível global, o estudo recente mostra um aumento na demanda de 15,6 milhões de toneladas em 2012 para cerca de 45 milhões de toneladas em 2020.

As principais conclusões sobre o desenvolvimento global da demanda por biomassa e pellets são: A UE vai se manter como o maior consumidor de biomassa e pellets, mas a Ásia Oriental vai apresentar um crescimento muito forte e pode ser o segundo mercado consumidor em 2024. A demanda da UE poderia variar entre 60 milhões de toneladas até 2024, dependendo em grande medida sobre a) as políticas de co-incineração na Reino Unido, Holanda, Alemanha e Polônia, e b) no preço do gás e do óleo usado no aquecimento e da atratividade relacionado para mudar para pellets de madeira para os pequenos usuários (famílias um edifícios residenciais de médio porte).

O Brasil tem um enorme potencial de biomassa (resíduos florestais, agrícolas e industriais) para o aproveitamento na matriz energética ou para o desenvolvimento de projetos industriais sustentáveis em Energia Limpa e Renovável.

Em recente estudo publicado na principal Revista Européia de energia, apenas três países despontam com o maior potencial de matéria-prima e de produção de pellets em grande escala: Austrália, África do Sul e Brasil.

Projeções de longo prazo vem em prever uma expansão ainda mais forte e um amadurecimento do mercado de pellets de madeira em uma commodity negociada internacionalmente. Para ilustrar isso, desenvolvemos dois cenários em que a produção de woodpellets para fins de exportação em diferentes regiões do mundo.

  1. Cenário de Comércio Mundial. A principal base para os fluxos de importação esperados para o curto prazo são baseadas nas expectativas da indústria, tal como apresentado (Schouwenberg; de Wolff) e na literatura recentee em relatórios de produtos da UNECE (UNECE / FAO).
  2. Estas fontes já levam em conta os investimentos em curso em novas plantas de pellets ao redor do mundo e a velocidade máxima com que a produção de pellets e o comércio internacional de consumo pode realmente crescer nos próximos anos. Para o período de 2020-2024, o desenvolvimento potencial baseia-se na disponibilidade de biomassa lenhosa e a disponibilidade específica de biomassa lenhosa nas principais regiões de abastecimento
  3. Cenário otimista de alto comércio de consumo. Este cenário é muito conservador, mas assume que a partir de 2024, um número de regiões do mundo vai usar a terra para a produção de energia e propriamente para produzir pellets de madeira. Leva-se em conta a produção para o consumo interno, os tipos disponíveis e predominante de matéria-prima (ou resíduos lenhosos, como madeira, serragem, cascas, etc) ou de madeira redonda (como eucalipto ou pinus de plantações de alta rotação).

O desenvolvimento do mercado consumidor de biomassa e pellets é impulsionado pela busca de diversificação de fontes de energia para garantir o abastecimento futuro e para a redução de gases de efeito estufa (GEE). Fortes incentivos governamentais em todo o mundo permitiram a criação de uma indústria internacional.

Um importante vetor de desenvolvimento que vai ao encontro dos objetivos de segurança energética, de proteção ambiental e de coesão social e econômica. O aproveitamento dos resíduos está ligado à necessidade em utilizar de forma sustentável a cadeia produtiva florestal para a geração de energia. Nos países com maior desenvolvimento é uma política de Estado, a utilização da biomassa em termoelétricas e indústrias como fonte de energia.

A biomassa florestal, agroindustrial e industrial surge neste âmbito como um dos recursos a considerar para a produção de energia elétrica. Mas se faz necessário a criação de uma legislação para o estímulo à produção sustentável e para a utilização da biomassa residual com o estabelecimento de medidas para a criação de incentivos à existência de circuitos de processamento e de recolhimento, transporte, produção (biomassa, briquete ou pellets), reduzindo o custo da biomassa e promovendo as empresas para atuar com projetos sustentáveis.

É de realçar o importante papel de normatização para um aumento na produção e utilização (quer na geração de energia térmica, cogeração ou no desenvolvimento de projetos sustentáveis como pellets e briquetes) e no aprimoramento econômico com benefícios para os municípios, estados e o governo federal (novos dividendos, tributos e uma política sustentável), ao setor empresarial (florestal e industrial da madeira com a gestão de novos negócios) e da população (novos empregos e a valorização social).

Utilizar adequadamente a biomassa para a geração de energia ou para o desenvolvimento de projetos ecológicos como pellets e briquetes, será de fundamental importância para a criação de novos empregos ao setor rural. O setor florestal nacional produz milhões de toneladas de madeira, destinada ao setor industrial, madeira serrada, celulose e para fins de exportação gerando um contingente enorme de resíduos que se transformam em passivo ambiental.

Importante expor que os investimentos em energias renováveis devem atingir, entre 2023 e 2025, $650 – 700 bilhões, aumentando para mais de $900 bilhões por ano a partir de 2026. O mercado de produtos e serviços verdes do Reino Unido, que vale quase R$ 1 trilhão, já emprega cerca de 900 mil pessoas, diretamente ou na cadeia de oferta mais ampla. No documento intitulado “White Paper for a Community Strategy”, elaborado pela European Comission´s são claras as intenções da Comunidade Européia em dobrar a quota de fontes renováveis e biomassa no consumo total de energia doméstica. No caso da biomassa, isto representa um incremento de 90 milhões de toneladas em óleo equivalente.

Na União Européia, países como a Finlândia, Suécia, Áustria, Dinamarca e Alemanha já possuem programas bastante avançados de produção de energia elétrica a partir de biomassa. Na Finlândia, Suécia e Áustria a bioeletricidade representa um grande suprimento de energia primária. A política energética do governo finlandês tem como objetivo criar condições de assegurar o fornecimento de energia, manter os preços competitivos e possibilitar o cumprimento dos compromissos de redução das emissões.

Na Alemanha, visando o incentivo do uso da biomassa na geração elétrica, o governo criou uma lei de subsídios à implantação de projetos de até 20 MW (que excedam a uma eficiência mínima viável), denominada “biomass law”. Política semelhante vem sendo adotada no Reino Unido, onde já existe um grande número de plantas à biomassa em fase de planejamento ou em construção. Nos Estados Unidos a biomassa é uma importante fonte energética com a utilização de resíduos industriais para autogeração.  Os países emergentes como Brasil, podem usar um recurso hoje negligenciado para lutar contra a pobreza, criar empregos, ser independentes do ponto de vista energético e ainda se adaptar às mudanças do clima. O recurso que promete milagres é a biomassa, uma matéria orgânica de origem vegetal ou animal, usada para gerar energia.

O progresso no desenvolvimento de alternativas para a energia de biomassa, além de aliviar a pressão em recursos finitos de combustíveis fósseis, pode reduzir os custos de mitigação de emissões de carbono como bem elucida o Dr. José Goldemberg da Universidade de São Paulo. E ainda se as nações gerirem suas florestas e replantarem mata, a biomassa pode ser uma fonte renovável e sustentável de energia. A biomassa produz menos emissões de gases do efeito estufa que os combustíveis fósseis. Como demanda trabalho intenso em toda a cadeia de fornecimento, a biomassa pode aumentar o número de empregos e reduzir a pobreza.

O planejamento florestal deve fundamentar nas práticas de gestão e de desenvolvimento com os projetos dos bioparques (florestais e industriais ou centro de recolhimento e de processamento da biomassa que podem possibilitar a retirada imediata de milhões de toneladas de resíduos).

Trata-se de uma inovadora estratégia de desenvolvimento florestal e ambiental com a monitoração da gestão florestal sustentável. Portanto, este estudo tem como principais objetivos:

  1. I) Aproveitamento dos resíduos do processo de extração florestal até a fase da produção industrial, gerando um aumento na produção de energia pelo uso da biomassa e no aproveitamento sustentável para a produção de pellets e briquetes.

 

  1. II) Garantia de segurança no abastecimento do mercado interno industrial com uma fonte renovável de energia e um adicional de exportação para os mercados dos Estados Unidos, China e Europa.

III) Estimulo ao setor florestal e industrial para a produção e no consumo da biomassa como uma fonte alternativa de energia, para o desenvolvimento de novos negócios e para a geração de novos empregos. Este objetivo vai gerar um aumento da eficiência energética nas empresas e na redução das emissões de CO2, diminuição do peso dos combustíveis fósseis nas fontes primárias de energia.

  1. IV) Garantir a adequação ambiental de todo o processo energético, reduzindo os impactos ambientais. Uma política sustentável que venha em se constituir no motor do desenvolvimento econômico, social e tecnológico e que venha em fomentar negócios e investimentos.

Adicionalmente queremos estimular a produção de produtos de origem renovável como os pellets e os briquetes utilizados para a geração de energia térmica em residências na Europa e Estados Unidos e no setor industrial, estimulando a exportação dos produtos com um adicional financeiro para as empresas. Dentro deste contexto e face à necessidade de mitigação das alterações climáticas através da utilização de fontes de energia renováveis, nomeadamente da biomassa florestal, industrial e agroindustrial e de resíduos em processo industrial, surgiu esta obra.

Os mercados globais de energia enfrentam uma série de desafios. Enquanto alguns mercados de energia como a Europa precisam de energia para aquecimento para sustentar uma população crescente, outros como o Japão precisam melhorar a segurança energética através da diversificação da matriz energética.

Outro objetivo é controlar a mudança climática através da redução das emissões de gases de efeito estufa dos combustíveis fósseis. O uso de biomassa e pellets é uma alternativa sendo considerada pelos maiores consumidores de energia.

Portanto, queremos promover a eficiência energética nacional e o desenvolvimento sustentável a partir do emprego da energia limpa com a produção e o uso de biomassa e pellets. Queremos criar novas oportunidades de negócio e na geração de novos empregos e dividendos ao Brasil. Esta obra vai ajudar as empresas nacionais no conhecimento da tecnologia de produção e para o aproveitamento residual na transformação em energia limpa com o cunho de desenvolvimento de novos e sustentáveis negócios.

Celso Oliveira

Presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Biomassa e Energia Renovável Fundou a International Renewable Energy e a Associação Brasileira das Indústrias de Biomassa e Energia Renovável. Atualmente é Consultor no Desenvolvimento de Projetos Industriais de Bio Wood Pellets das maiores empresas do setor florestal, celulose e sucroenergético. Diretor da Brasil Biomassa e Energia Renovável e da sociedade Luso-Brasileira European Energy SRL.

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