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Passivo Ambiental ou Recurso Energético

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Segundo indicadores da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento – UNCTAD, o Brasil será o maior país agrícola do mundo em dez anos. Hoje, o agronegócio já representa uma das atividades que mais contribuem para o crescimento do nosso país.

Contudo, aliada à evolução, ao desenvolvimento e à transformação de alimentos, está a geração de muitos resíduos, sendo estes um dos principais problemas ambientais não só no Brasil, mas no mundo. Os resíduos gerados nas atividades industriais podem ocasionar problemas ambientais, caso não recebam destino adequado.

Uso de Recursos Naturais e Energéticos. O crescimento acelerado e desordenado da população é responsável pelo elevado uso de recursos naturais e energéticos, que, consequentemente, tem ocasionado um considerável e contínuo incremento na geração de resíduos; o que pode levar à contaminação dos mais diversos compartimentos ambientais, comprometendo sua qualidade.

Dentre as atividades potencialmente poluidoras, destacam-se as industriais e agrícolas, que são caracterizadas por apresentarem fontes pontuais e difusas de contaminação, e têm afetado diretamente a qualidade dos ecossistemas, pois liberam ao meio ambiente grande quantidade de elementos tóxicos.

Importância dos Tratamentos dos Resíduos. No caso das atividades agropecuárias, que envolvem o setor agrícola e a pecuária, a geração e o tratamento dos resíduos se torna fundamental, devido ao grande volume de resíduos gerados, que ocorre devido ao fato de que o país possui sua base econômica voltada para essas atividades.

Tais resíduos são compostos por restos orgânicos das lavouras, palhas, dejetos orgânicos e de atividades zootécnicas, que podem ser passíveis de reutilização e tratamento para utilização no próprio meio agrícola.

Um dos objetivos da reutilização é proteger a saúde pública, economizando os recursos naturais e evitando danos ao meio ambiente, uma vez que estes são portadores de baixas concentrações de contaminantes, podendo beneficiar economicamente o setor agrícola.

Gestão Ambiental dos Resíduos Agrícolas. Outro ponto que leva a grande mobilização dos setores público e privado na questão de gestão ambiental de resíduos agrícolas, é a conscientização do destino correto dado às embalagens de agroquímicos.

Para essa finalidade, foi criado no Brasil, o Sistema Campo Limpo, que realiza a logística reversa de embalagens vazias de defensivos.

O Brasil é destaque mundial neste setor, pois 94% das embalagens plásticas primárias (que entram em contato direto com o produto) são destinadas corretamente, minimizando a contaminação do meio ambiente pela disposição inadequada desses resíduos.

A coleta desses resíduos é incentivada por políticas públicas implementadas para a gestão de resíduos, que estimulam parcerias entre o governo, cooperativas e cidadãos, gerando benefícios sociais, ambientais e econômicos, uma vez que, muitos empreendimentos privados se interessam pela coleta e comercialização de resíduos agrícolas em geral, gerando empregos, movimentando a economia, e minimizando a possibilidade de tais resíduos serem inseridos no ambiente.

Tendo em vista a importância dos compartimentos ambientais (solo, ar e água) na realização das atividades humanas, o desenvolvimento de técnicas de recuperação e de mitigação de impactos ambientais negativos ocasionados pelos resíduos gerados nas mais diversas atividades deve ser considerado.

Além disso, políticas e regulamentações internacionais, como por exemplo a ISO 14000, atreladas às exigências do mercado por produtos ambientalmente adequados, têm impulsionado todos os setores a buscar alternativas ambientalmente corretas para os resíduos gerados em seus processos produtivos.

Os resíduos orgânicos, que fazem parte da tipologia mais comumente relacionada às atividades agrossilviculturais, são gerados em atividades agrícolas e silviculturais, pecuárias e domésticas. Podem também ser incluídos aqueles gerados em atividades agroindustriais, como nas unidades de recebimento de grãos, indústrias de processamento de grãos e outros produtos da agricultura, laticínios, frigoríficos e outras indústrias de transformação de matérias primas provenientes das atividades agrossilvopastoris.

Impacto Ambiental. Conforme a Resolução 001 do CONAMA (Brasil, 1986), considera-se impacto ambiental qualquer alteração do meio ambiente que direta ou indiretamente afetem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; a qualidade dos recursos ambientais.

Os resíduos provenientes de atividades agrícolas causam impactos ambientais. Os resíduos podem alterar a biota e interferir em todo o ecossistema, devido à alta quantidade, lenta degradação e a geração de subprodutos tóxicos.

O bagaço da laranja, por exemplo, composto por material lignocelulósico, promove danos ambientais em virtude da dificuldade de decomposição desse material, formado basicamente por lignina, celulose e hemicelulose, de difícil degradação por microrganismos e animais.

Os agricultores geralmente desconhecem os impactos que os resíduos causam ao meio-ambiente, bem como, pouco sabem da possibilidade de aproveitamento como fonte de sustentabilidade. No cultivo da cana-de-açúcar, a queima da palhada emite gases na atmosfera que contribuem para o efeito estufa e a fuligem liberada causa danos ao bem-estar e a saúde da população.

Resíduos provenientes da produção do açaí, incluem-se o caroço, que assim como o bagaço da laranja, constitui-se como material lignocelulósico, e a casca, além de efluentes gerados durante o processamento.

Águas residuárias originárias do processo de industrialização, à exemplo da vinhaça, que constitui o resíduo da destilação do caldo de cana-de-açúcar fermentado e importante agente poluidor do ambiente, quando lançados em corpos de água sem o correto tratamento, consomem o oxigênio dissolvido devido a degradação de matéria orgânica, e o aumento de nutrientes em corpos de água. Diante dos impactos ambientais negativos, o tratamento ou reaproveitamento de resíduos provenientes da agricultura tem como objetivo principal preservar recursos naturais e evitar a degradação ambiental.

Problema Ambiental dos Resíduos Agrícolas. Nos processos produtivos agrícolas e no beneficiamento agroindustrial, a geração de resíduos pode se tornar um desperdício de produção, visto que estes nem sempre são convertidos em uma nova fonte de renda para as empresas produtoras. Estes resíduos, em muitos casos no Brasil, são mal manejados, sendo depositados em locais impróprios, como margens de rios, gerando problemas ambientais. Os resíduos agrícolas, estão prontamente disponíveis como resultado de operações agronômicas, mas a falta de manuseio e o descarte costumam ser um fardo para os agricultores e as comunidades.

No Brasil, eles são deixados no solo ou queimados em incêndios em campo aberto, causando poluição do ar e risco de incêndio.  Existem técnicas agrícolas avançadas para usar esses resíduos de maneiras alternativas.

O uso de resíduos para a produção de energia poderia reduzir drasticamente a conta de aquecimento para os usuários finais, mas também reduzir os custos das operações para os agricultores e garantir receitas adicionais, diversificando suas atividades. Dentro desse contexto para uma finalidade de descarbonização e do uso sustentável da agrobiomassa como uma fonte de bioeletricidade, agropellets, biocarvão é uma importante alternativa sustentável que vai minimizar o problema ambiental.

Emissões Atividade Agrícola. Tais emissões agrícolas (NH3) contribuem na formação da matéria particulada presente na atmosfera, que também possuem relação com a criação de animais, na decomposição de estrume e matéria orgânica e com o uso de fertilizantes nas culturas agrícolas, além da prática das queimadas dos resíduos de culturas. O NH3 é o gás mais emitido pelas atividades agrícolas, compondo 78% das emissões totais de NH3 para atmosfera, sendo essa a principal fonte para a formação de nitrato de NH4. As emissões de gases atmosféricos é um processo extremamente oneroso do ponto de vista econômico, e provavelmente menos eficiente do que a diminuição por parte de emissões agrícolas, e por isso, deve ser levada em consideração a possibilidade de regulação das emissões de NH3 por estas atividades.

Celso Oliveira. Diretor da Brasil Biomassa e Energia Renovável.

Presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Biomassa e Energia Renovável.

Diretor Executivo do Instituto Brasileiro Pellets Biomassa Briquete

Brasil Biomassa Consultoria Engenharia Industrial Tecnologia

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