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Jalapão: a exuberância de um destino pouco desbravado

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A empresária – e turista – Sueli Fabiano relata ao portal do Turismo o que viu em um dos cenários mais majestosos do país, na segunda matéria especial em homenagem aos Jogos Mundiais Indígenas

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Vista aérea do Jalapão. O destino é um dos mais visitados do Tocantins. Crédito: Chorão

“Entrei na cabine de um caminhão 4X4 e zarpei. Foram cerca de seis horas de ‘expedição’ em um terreno arenoso até chegar ao acampamento, no Jalapão, onde passei cinco dias, a partir da capital Palmas. Ali começou uma grande aventura, no lugar mais grandioso que já visitei: chapadões enormes, rios encachoeirados e dunas de cor amarelo ouro que chegam a até 40 metros de altura, um cenário de cinema que nunca vou esquecer.

Para conhecer o Jalapão é preciso muita energia, olhos atentos e o espírito livre para se deixar levar. Se por um lado as chapadas, que recebem o nome de Serras Gerais, têm a vegetação parecida com a das savanas da África, e remetem à secura do lugar; por outro, as inúmeras quedas d’água, como a Cachoeira da Velha, mostram como a natureza desabrocha naquele lugar. Imagine 100 metros de extensão em formato de ferradura e uma queda d’água abundante, depois de uma trilha cansativa. A Cachoeira da Velha é mais do que uma recompensa.

Também adorei mergulhar em um fervedouro. Fervedouros são poços de água azul transparente com uma característica especial: é impossível afundar. Lá ocorre um fenômeno chamado ressurgência, que empurra a água para cima. Isso acontece porque a nascente é um rio subterrâneo. Foi muito divertido.

Em minhas expedições pelo Jalapão vi cobra rastejando entre as folhas, fotografei dezenas de plantas exóticas de cores e formatos incríveis e muitas aves. Fiquei tão deslumbrada com tudo aquilo que torci o pé correndo atrás de araras azuis. Foi trágico e engraçado ao mesmo tempo. Meu tornozelo ficou inchado até o último dia. Mas valeu a pena.

Também visitei o artesanato da comunidade do Mumbuca e pude contemplar a produção local, feita a partir de uma planta típica da região, o Capim Dourado. Adorei as peças de decoração e as bijuterias cuidadosamente produzidas por moradores, um espetáculo à parte.

De noite, depois de caminhar bastante, todos os dias voltava para o acampamento cansada e feliz. O clima de deserto: de dia quente e de noite frio, ajudava a recuperar as energias – e me deixava pronta para o dia seguinte. Na hora de voltar, me despedi saudosa e viajei de volta para Palmas, pela cidadezinha de Ponte Alta do Tocantins, que está a 190 km da capital. Uma experiência que vou guardar para sempre na memória”.