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Projeto Albatroz completa 30 anos de trabalho pela conservação das aves com programação especial

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Casal de albatrozes em ilha de reprodução (Foto: Dimas Gianuca/Projeto Albatroz)
Lançamento de vídeo comemorativo, live AlbaTalks, documentário e contação de histórias a distância para crianças estão marcados para o mês
Prestes a completar 30 anos de trajetória no dia 17 de julho, o Projeto Albatroz, patrocinado pela Petrobras, trabalha com o objetivo de reduzir a captura incidental de albatrozes e petréis, aves oceânicas ameaçadas de extinção. Esta missão é cumprida com ampla participação em políticas públicas nacionais, internacionais e criação de medidas conservação dessas aves, além de educação ambiental marinha com pescadores, primeira infância, jovens e o público em geral. Para celebrar a data, há uma série de eventos marcados durante o mês como lançamento de documentário, vídeo, AlbaTalks, contação de histórias para crianças e muito mais (veja serviço completo no final do texto).
Além disso, no mês de aniversário da instituição também estão programadas a V e VI edições virtuais do Workshop de Comunicação Ambiental da Rede Biomar. Nos dias 21 e 24 de julho, pessoas de todo o país poderão acompanhar mesas redondas sobre ‘Imagem e Oceano’ e ‘Oceano em Pauta’ com jornalistas ambientais, fotógrafos especializados e membros de projetos da Rede Biomar – formada pelos projetos Albatroz, Baleia Jubarte, Coral Vivo, Golfinho Rotador, Meros do Brasil e Tamar, patrocinados pela Petrobras e que, juntos, desenvolvem ações pela conservação da biodiversidade marinha.
Pesquisas
Albatrozes e petréis sofrem especialmente devido à poluição dos oceanos com lixo plástico e a interação com a pesca de espinhel pelágico – técnica de pesca industrial praticada em alto-mar para capturar peixes grandes como atuns. Ao tentarem comer as iscas lançadas ao mar, as aves ficam presas aos anzóis e são puxadas para dentro da água, onde morrem afogadas.
O Projeto Albatroz desenvolve ações para reduzir essa captura incidental – são as chamadas medidas mitigadoras. Uma delas é o Toriline, tecnologia social desenvolvida em parceria com os pescadores que afugenta as aves da embarcação. Existe ainda o Regime de Peso que sugere aos pescadores posicionamentos do peso na linha de pesca de forma a garantir um afundamento da isca mais rápido. E, por último, a Largada Noturna, já que largar os anzóis de pesca à noite reduz a chance de captura, pois as aves tendem a se alimentar durante o dia.
O uso simultâneo das três medidas em uma embarcação de espinhel reduz a chance da captura e os estudos do Projeto Albatroz comprovaram isso. Portanto, hoje essas medidas constam na Instrução Normativa Interministerial (INI) no 07/2014, dos Ministérios da Aquicultura e Pesca e do Meio Ambiente. A utilização delas beneficia também a produtividade da pesca, já que evita o roubo das iscas pelas aves e aumenta o nível de segurança durante a pescaria.
Entre os maiores resultados de 30 anos de trabalho de conservação do albatroz no Brasil estão o desenvolvimento de um conjunto de medidas eficazes que impedem a captura da ave, assim como um trabalho intenso de sensibilização da sociedade quanto à importância do albatroz para o equilíbrio do ambiente marinho. A saída do albatroz-de-sobrancelha-negra (Thalassarche melanophris) da lista de espécies brasileiras ameaçadas de extinção do ICMBio foi mais uma grande conquista.
Outra iniciativa realizada pelo Projeto Albatroz em parceria com a R3 Animal e CEMAVE/ICMBio é o Banco Nacional de Amostras Biológicas de Albatrozes e Petréis (BAAP). Criado em 2018 como parte das ações previstas no Plano de Ação Nacional para a Conservação de Albatrozes e Petréis (Planacap), o Banco está localizado na Estação Ecológica dos Carijós, em Florianópolis. O BAAP viabiliza e facilita o acesso às amostras para intercâmbio de informações entre pesquisadores e instituições parceiras, maximizando o aproveitamento do material e destinando as carcaças dos animais para coleções ornitológicas.
Educação Ambiental
Desde 2011, cerca de 30 mil pessoas, entre educadores e alunos de diferentes faixas etárias e estados, foram envolvidos no Programa de Educação Ambiental Marinha ‘Albatroz na Escola’ (PAE). Recentemente, foi criado também o Programa ‘Albatroz em Casa’ (PAC), uma versão virtual do PAE que viabiliza a educação ambiental marinha em períodos de isolamento social como o atual.  Outra prova de tamanho esforço é a média mensal de mais de 2 milhões de alcance das redes sociais do Projeto Albatroz que garante a inserção da pauta da conservação marinha no meio digital.
Por meio do Coletivo Jovem Albatroz, desde 2015, jovens entre 18 e 29 anos são instruídos com o intuito de incentivá-los a tornarem-se lideranças socioambientais na região da Baixada Santista. Através de cursos, atividades de campo, participação em atividades do Projeto e órgãos colegiados, o Coletivo dá suporte para que seus integrantes atuem na transição para sociedades sustentáveis, tendo como foco os ambientes costeiros e marinhos.
Pesquisas e políticas públicas
O Projeto Albatroz assessora a formulação de políticas públicas de conservação marinha. Um exemplo é o Planacap, lançado em julho de 2006 pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O Projeto foi parceiro na elaboração desse documento, cujo objetivo é reduzir, com o uso de medidas mitigadoras, a captura incidental de aves pela pesca de espinhel. Em 2017, atuou também na atualização do texto do Planacap, de forma que proteja exclusivamente albatrozes e petréis, colocando as demais aves oceânicas sob um Plano de Ação Nacional (PAN) específico para elas.
A proteção de albatrozes está ainda prevista no Acordo Internacional para a Conservação de Albatrozes e Petréis (ACAP), já que essas aves interagem com diversas técnicas de pesca em águas nacionais e internacionais. Atualmente, Tatiana Neves, coordenadora geral e fundadora do Projeto Albatroz, é vice-presidente do Comitê Assessor do ACAP. Por conta da atuação intensa do Projeto no acordo, o Brasil é signatário desde 2008. O objetivo maior do ACAP é garantir que os 13 países membros adotem planos de ação nacionais para alcançar um estado favorável para a conservação dessas aves migratórias. Por este motivo, as metas e ações previstas no ACAP coincidem com as do Planacap.

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